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Xtraining Brasil no Desafio 28 praias: experiência e aprendizados.

No dia 13 de abril de 2019, 5 mulheres se juntaram para encarar um desafio: realizar uma maratona trail de revezamento. Esse desafio é uma prova de 42km que tem início em Caraguatatuba e fim em Ubatuba. E o nome não é à toa, a prova percorre 28 praias do litoral paulista! Essa prova pode ser realizada em varias modalidades e categorias: solo, duplas, trios, quartetos e quintetos femininos, masculinos e mistos. Eu, Renata, Clara, Débora e Michelli integramos um quinteto feminino e a Xtraining fez parte da nossa preparação. Nesse relato de experiência, trago algumas reflexões que tive ao relacionar a minhas experiências enquanto participante da prova, mas também enquanto psicóloga.

Variáveis de treino X Variáveis de prova

Há quem diga que a prática leva à perfeição, no entanto, antes de considerar essa regra como absoluta, é importante lembrar que as competições apresentam características singulares que muitas vezes não aparecem nos treinos. O corredor que finaliza a prova e considera seu desempenho excelente e perto do imaginado, além de ter treinado bastante, se preparou para enfrentar alguns imprevistos: condições climáticas, dor, presença e desempenho de outros corredores, organização da provas e outros.

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Uma importante característica da maratona trail de revezamento encontrada no desafio das 28 praias, e não foi vivida nos treinos, foi a incontrolabilidade e dependência da corrida das demais participantes do quinteto. Nos treinos, o tempo da minha corrida não interferia no horário da largada da minha companheira de revezamento, mas na prova, a participante do trecho 2 só poderia iniciar seu percurso quando a participante do trecho 1 entrasse na zona de revezamento. Além disso, como as trilhas fazem parte do percurso, não tínhamos acesso as informações da participante que estava em prova. Não sabíamos quantos quilômetros faltavam e se estava tudo bem. Em situações de incontrolabilidade, é possível sentir alguns sinais de ansiedade: agitação, aumento dos batimentos cardíacos, fluxo acelerado de pensamentos e vários outros.

Nesse caso, lembrar que estávamos em equipe e tínhamos uns aos outros foi um grande alívio durante a espera da participante em prova. Para isso, contamos com a grande apoio de três pessoas: o Marcelo (nosso treinador), Pedro e Gabriel.

            As condições climáticas estavam bem favoráveis, no entanto, mais uma variável que não tivemos controle: as condições do terreno estavam ruins. A chuva dos dias anteriores deixou as trilhas com bastante lama e muito escorregadias, o que aumentava as chances de quedas. Essa foi uma variável bem presente no trecho 1, percorrido pela Renata, e pelo trecho 4, percorrido por mim. Mais uma situação que desencadeia uma série de pensamentos distratores: “Tá impossível”, “Eu não consigo correr desse jeito”, “Vou demorar muito para chegar”, “Vou prejudicar o tempo da minha equipe”. A solução encontrada por mim e pelo Pedro, um dos integrantes da equipe de apoio, foi usar o bom humor: gritos de incentivo como “bora”, “estamos bem demais”, “falta pouco” e “quero mais” foram algumas das respostas aos pensamentos distratores.

Esses foram alguns fatores que estiveram fora do nosso controle e enfrentamos no Desafio das 28 praias. Embora estivessem fora do nosso controle, foram de possível manejo. No entanto, há outro conjunto de fatores, que são aqueles que estão no nosso controle. Um exemplo de dificuldade que estava sob meu controle foi a alimentação durante a prova. A largada da provafoi dada às 7:30 da manhã, porém, o início do meu trecho aconteceu às 14:00. Organização e planejamento com a alimentação foram bastante necessários para lidar com esse problema que foi previsto e estava sob meu controle.

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Quais são os piores cenários que posso enfrentar?

Gosto de usar essa pergunta com os meus pacientes no consultório e confesso que também uso comigo mesma. Essa pergunta nos ajuda a visualizar possíveis desfechos difíceis que podemos enfrentar e a identificar possíveis soluções. Eu, por exemplo, já havia imaginado que a alimentação e a hidratação durante a prova seriam alguns dos meus obstáculos. Sabendo disso, procurei orientação nutricional para escolher estratégias adequadas para mim e para esse tipo específico de prova. Também tinha visualizado um dia de sol forte perto do meio dia, horário que eu imaginava para o início do meu trecho. Como o calor intenso poderia atrapalhar o meu desempenho, realizava treinos na praia em dias de sol, justamente para me familiarizar com esse possível cenário. Atletas que treinam em condições variadas, como: sol, chuva, frio, inclinação, com ou sem o uso de algum suplemento ou acessório, tem boas chances de apresentarem bom desempenho no dia da prova, ou seja, esse atletas enfrentam nos treinos alguns estímulos que podem encontrar na competição.

Conclusão

Participar de provas nos permite testar e avaliar o que foi realizado no período de treinamento, mas para corredores amadores e pela primeira vez em prova trail, os aprendizados são mais importantes que o tempo de prova. Expectativas, imprevistos, incontrolabilidade, ansiedade e união do grupo foram algumas das palavras-chave que marcaram essa experiência. Para essa experiência ainda ser permeada pela satisfação com o próprio desempenho, coloque em prática: identifique fatores que estão e que não estão no seu controle, visualize cenários difíceis e suas possíveis soluções, e traga para treino alguns estímulos semelhantes ao da competição.

 

Por: Anna Vitoria Renaux

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