ryan sandes treina para a grande travessia 2014 - Treinamento em altitude: Seus benefícios para corredores de fundo

Treinamento em altitude: Seus benefícios para corredores de fundo

Há quem gosta de passear nas alturas das serras, para curtir um friozinho e tomar um chocolate quente ao lado da família, há que goste de fazer tudo isso, mas guarda um espaço da mala para levar sua farda de treinamento e aproveita o momento para realizar aquele “treininho”. Sim corredores, isso é uma realidade no nosso mundo, nunca perdemos uma boa oportunidade de unir o lazer com alguns bons treinamentos.

Hoje vamos subir as montanhas e juntos entender quais são os benefícios do treinamento na altitude.

Na busca por melhores resultados atléticos, diversos corredores utilizam treinamentos de altitude como estratégia para alcançar o pico de sua performance. Passam, durante semanas treinando em alturas que chegam a mais de dois mil metros, em buscar de um aumento de condicionamento, para uma possível melhora nas pistas e ruas.

Diversas pesquisas têm sido feitas sobre treinamentos em altimetrias elevadas. Sabe-se hoje, que o organismo humano necessita do oxigênio para suprir suas necessidades energéticas. Para que isso ocorra, o organismo deve captar, transportar, utilizar o oxigênio (para formar ATP) e depois de tantas reações, eliminar seus resíduos.

ryan sandes treina para a grande travessia 2014 - Treinamento em altitude: Seus benefícios para corredores de fundo

À medida que uma pessoa sobe para uma altitude maior que 1500 metros, a Pressão de oxigênio começa a diminuir. Com a queda da pressão, há uma queda na PO2 alveolar, e consequentemente, a combinação (saturação) do oxigênio com a hemoglobina também cai.

Com a diminuição na Po2 e do transporte de oxigênio, ocorrem alterações nas condições de desempenho físico, forçando o organismo a realizar adaptações para criar um Rapport com o ambiente externo. Ou seja, criar uma ligação de empatia, para diminuir a resistência e melhorar a comunicação entre as partes.

Com a adaptação, acontece uma melhora das capacidades gerais, melhorando a produção e consumo de energia, aliviando a tensão e sobrecarga basal de seu organismo. Contudo, algumas alterações devem ser deixadas claras, para melhorar nosso entendimento:

  • Alterações Hematológicas – Para compensar a falta de oxigênio o corpo realiza uma “desidratação”. Ou seja, realiza uma distribuição hídrica adequada para o momento, desviando o plasma sanguíneo em direção aos espaços intra e extracelulares, tornando o sangue mais concentrado. Além desse agrupamento, o corpo humano também começa a produzir mais hemácias, e consequentemente, mais hemoglobina. Isso ocorre pelo aumento da produção de eritropoietina (EPO) pelos rins.

Para melhorar nosso entendimento, vamos exemplificar; uma pessoa residente dos Andes possui até 38% mais hemácias do que um residente ao nível do mar.

Vale lembrar que o nível do hematócrito não aumentará ilimitadamente. Isso poderia causar uma viscosidade exagerada do sangue, dificultando a circulação e o transporte de O2. Com isso, as proporções do conteúdo sanguíneo se alteram, havendo um aumento na porcentagem de hemácias e uma diminuição na proporção de plasma.

  • Adaptações Celulares: Seguindo a linha do Rapport, o corpo, evidencia uma maior concentração de capilares, mitocôndrias e enzimas do ciclo de Krebs (processo de reações químicas que ocorrem dentro da célula). Essas alterações modificam consideravelmente a eficiência de captação e transporte de O2 para os músculos. Além das modificações celulares, acontece um importante aumento no conteúdo da mioglobina, favorecendo uma maior quantidade de armazenamento de O2, tornando-a um mecanismo fácil e rápido para a obtenção de energia em situações de necessidade.
  • Alterações no Peso e na Composição Corporal: Com a exposição prolongada a uma grande altitude acontece uma perda considerável de peso corporal e no percentual de gordura. Segundo, MCARDLE, KATCH e KATCH, 1998, a magnitude da redução ponderal está relacionada diretamente à elevação terrestre.

Para explicar as citações, os autores recorrem a três motivos: 

  1. Primeiro seria uma ingestão energética diária reduzida.
  2. A segunda, que poderia responder o motivo anterior, envolve uma menor eficiência na absorção intestinal.
  3. E a terceira, é que pode-se observar um aumento na taxa metabólica basal em pessoas expostas à altitude.

Depois dessa informação, aposto que tem muita mulherada repensando onde irá passar suas férias com a família (risos). Mas nem tudo é rosa. A altitude pode trazer todos esses benefícios citados até o momento, entretanto devemos ter consciência de alguns perigos que a mesmo nos proporciona (assunto para nosso próximo post).

CONCLUSÃO

 O treinamento em altitudes elevadas podem trazer benefícios consideráveis para a melhora do condicionamento do corredor. Portanto, se você corredor que tem viagem marcada para lugares que possuem uma altura acima de 1500 metros, considerem a ideia de levarem seus matérias de treinos, pois você terá uma grande oportunidade de turbinar seus resultados e surpreender seus colegas na sua volta. Uma excelente semana e bons treinos!

Por, Marcelo Scolari

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