Design sem nome 80 - Suplementação para corredores parte II

Suplementação para corredores parte II

Como falamos no primeiro post sobre suplementação, os suplementos podem complementar a dieta, sendo auxiliadores da performance. Porém, na maioria dos casos, o uso acaba sendo dispensável, pois as necessidades energéticas e nutricionais do indivíduo podem ser supridas apenas com uma adequada alimentação. 

Dando sequência ao post de Suplementação LINK DO PRIMEIRO POST de suplementação, neste falaremos sobre o porquê não é recomendado o uso desenfreado dos demais suplementos, os quais não estão no grupo A do sistema de classificação. 

Estudos científicos que ainda precisam de mais pesquisas para entrar em um consenso. Considerado para uso por atletas sob um protocolo de pesquisa ou administrado em casos de situação de monitoramento.

  • Aminoácidos (menores partículas de proteínas) como  BCAA / Leucina, Tirosina: O uso de aminoácidos é completamente dispensável, uma vez que o consumo de proteínas de alto valor biológico já garante o aporte de todos os aminoácidos essenciais para o organismo, não sendo relevante a ingestão a mais destes, de forma isolada. Caso seja feito uso desses aminoácidos e não haja ingestão adequada de proteínas por meio da alimentação, o suplemento apenas irá suprir a necessidade do organismo, não acarretando nenhum benefício extra.

→ Você pode saber mais a respeito sobre a adequação de proteínas empost sobre proteínas”.

  • Antioxidantes em geral: Vitamina C e E, frutas vermelhas, quercetina, polifenóis e minerais antioxidantes→ O uso de antioxidantes é de extrema importância para neutralizar radicais livres no organismos (substâncias formadas por meio de reações químicas que ocorrem de forma natural no corpo, como a respiração ou por contaminação externa: fumo, poluição do ar…), porém este consumo deve ser adequado, sendo necessário um equilíbrio entre antioxidantes e radicais livres no organismo, para o adequado funcionamento e defesa do mesmo. 

O que podemos concluir até então é que pessoas sadias, com aporte adequado destes nutrientes, não precisam consumir uma quantidade maior do que a preconizada, uma vez que não haverá benefício extra algum, seja na saúde ou no desempenho esportivo. Além disso, se o consumo for muito exagerado e existir um desequilíbrio considerado entre antioxidantes e radicais livres, pode acarretar até à prejuízos no metabolismo.

  • Componentes de interesse atrativo pelo potencial benefício à funções, integridades e metabolismo do corpo:
    • Colágeno→ uma proteína, evidência nível B, uma vez que não há estudos que comprovem a real eficácia esperada. Por enquanto, não temos como garantir que a suplementação oral de colágeno vai chegar intacta até onde deveria para promover o esperado. Um consumo adequado de proteínas de alto valor biológico e de micronutrientes específicos garantem uma boa saúde de pele, unhas, cabelos e articulações.
    • Carnitina→ Acredita-se que a suplementação de carnitina influi sobre o gasto energético em repouso (taxa metabólica basal), oxidação de ácidos graxos e modificação de composição corporal, porém, estudos afirmam que não há efeitos da carnitina em nenhuma dessas variáveis. Estudos também não confirmaram sua eficácia na performance, sendo necessárias mais investigações.
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  • HMB→ é um metabólito do aminoácido Leucina. O motivo desta substância não ser recomendada é pelo mesmo motivo explicado no tópico “Aminoácidos”, o que garante de fato os benefícios prometidos é o aporte adequado de proteína de alto valor biológico, ou seja, com composição de todos os aminoácidos essenciais (que são 9) e não apenas um ou uma partícula de um aminoácido.
  • Óleos de peixe→ podem apresentar benefícios apenas em situações clínicas específicas ou quando há suprimento do déficit destes nutrientes por meio da suplementação. Mais estudos estão sendo e precisam ser realizados para que haja uma evidência mais forte e clara para esta recomendação de suplementação.
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  • Curcumina→ É o principal ingrediente ativo da cúrcuma, também conhecido como açafrão, apesar de ser um alimento com propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes, não apresenta nenhum benefício adicional se ingerido como forma de suplementação e nem tem efeitos positivos na performance. 
Suplementos do Grupo C e D

Devem ser evitados, pois não há o mínimo fundamento científico que possa embasar uma recomendação dos mesmos. Outros são proibidos por aumentarem o risco de ser acusado doping ou por serem perigosos e tóxicos para o organismo.

Conclusão

Os suplementos podem ser usados como auxiliares de estratégias nutricionais, porém, como citado neste post, muitos não possuem efeitos na saúde e na performance e acabam sendo ingeridos por concepções erradas, podendo inclusive, causar danos na saúde.

Procure a orientação de um nutricionista sempre que sentir necessidade de fazer uso de algum suplemento, para que a melhor estratégia seja traçada para você e para a melhora do seu desempenho esportivo.

Por: Esther Bevilacqua e Mayara Rodrigues

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