Cuidados com o treinamento em altitude

Treinar sempre é bom, mas treinar com qualidade e eficiência é muito melhor. No post passado falei um pouco sobre os benefícios do treinamento na altitude, para corredores de média e longa distância. Vimos, ao decorrer do texto, algumas informações bacanas referente a ganho de performance em treinamentos de altimetrias elevadas. Acredito que conseguimos aprender um pouquinho sobre as mudanças fisiológicas positivas causadas pela adaptação neste ambiente. Entretanto, o mundo não é feito de rosas e os treinamentos em altitude, feitos sem as devidas precauções, podem trazer resultados indesejáveis.

Os efeitos da altitude dependem sempre da altura que você está, quanto maior a altimetria, mais esforço o corpo terá para realizar a adaptação. São poucos os efeitos perceptíveis abaixo de 2.200 metros, mas eles são comuns acima de 2.800 metros. Entretanto, não há como prever a altura que você poderá ter riscos, o que deve ser feito é uma adaptação gradativa, levando em consideração as respostas de seu organismo, quando as respostas não são respeitadas, ficamos suscetíveis a alguns problemas, e um deles é o Mal da Montanha. 

Mal da Montanha

O Mal da Montanha, também conhecido como Hipobaropatia, é uma condição patológica relacionada com efeitos da altitude, causada por uma exposição aguda, sem adaptação ao ambiente. É difícil determinar quem será afetado pelo mal de montanha, uma vez que não há fatores específicos diretamente implícitos na susceptibilidade de vir a sofrer da doença. Contudo, podemos diminuir os riscos, sabendo escutar as respostas fisiológicas do nosso corpo.

Com o aumento da altitude, ocorre uma menor pressão parcial de oxigênio, levando a sua baixa difusão nos pulmões com diferentes repercussões em nosso organismo. Isso ocorre, pois à medida que a altimetria aumenta, a pressão atmosférica diminui, fazendo com que o ar fique mais rarefeito, dispersando as moléculas de oxigênio, que por sua vez, dificulta a nossa captação.

Uma das principais mudanças e mais visíveis é com a respiração. Ela, quando exposta a uma baixa pressão atmosférica tende a ficar

 mais profunda e com maior frequência, alterando o equilíbrio entre gases nos pulmões e no sangue, aumentando a alcalinidade do sangue e alterando a distribuição de sais nas células. Como consequência, acorre uma “desidratação”, pois a água é distribuída de forma diferente entre o sangue e os tecidos. Essas alterações não respeitadas, podem ser um fator relevante para ocasionar o Mal da Montanha.

Mas quais são os sintomas?

Como discutido acima é difícil de prever sintomas, pois podem se manifestar de diferentes formas, mas os principais ocorrem acima de 2.400 metros e tende a ser:

  • Falta de ar
  • Aumento da frequência cardíaca
  • Dor de cabeça aguda
  • Náusea ou vômito
  • Distúrbio de sono
  • Edema pulmonar

O edema pulmonar (acumulo de líquido nos pulmões) é um caso mais grave do mal da montanha. O edema pulmonar da altitude elevada é mais comum em homens que em mulheres. Habitualmente, ocorre de 24 a 96 horas após a ascensão até a subida e é incomum abaixo dos 2.700 metros.

Como posso prevenir?

A melhor maneira para a prevenção do Mal da Montanha é realizar um processo de adaptação, levando cerca de 2 dias para atingir uma altitude de 2.400 metros e um dia a mais para cada 300 a 600 metros adicionais. Obviamente, que essa regra não se aplica para todos. É sempre válido ter em mente que cada corpo tem um processo de adaptação, uns mais rápidos, outros mais lentos. Portanto, é importante nós termos um senso crítico e realizar constantemente avaliações pessoais, principalmente quando estamos em situações de estresse metabólico.

Lembrando que o condicionamento físico pode ajudar, mas não garante que uma pessoa irá se sentir bem em altitudes elevadas. É aconselhável evitar esforços vigorosos durante 1 ou 2 dias após a chegada ao local de destino. Ou seja, corredores, vão precisar segurar as pernas para que haja uma adaptação progressiva com segurança. A ingestão de líquidos  adicionais e evitar o sal ou alimentos salgados também pode ser útil, embora essas medidas não tenham sido comprovadas.

Não recomento, aos corredores, ingerir bebida alcoólicas durante uma preparação na altitude, visto que, uma bebida alcóolica consumida em um local muito elevado parece ter o dobro do efeito que ao nível do mar e os efeitos de desidratação provenientes da ingestão podem fazer com que o corredor tenha uma volta precoce para o nível do mar.

Espero que tenham gostado e não esqueçam de deixar a sua opinião e compartilhar para mais pessoas terem acesso a esse conteúdo, um grande abraço

Por: Marcelo Scolari 

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